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terça-feira, 2 de março de 2010

Música: A Linguagem de todos os povos.


A humanidade possui vários códigos para sua comunicação, como por exemplo, signos, a linguagem verbal (língua oral e língua escrita) e não-verbal. É por meio desse sistema de comunicação, que se torna possível expressarmo-nos e estabelecer a troca de idéias e informações uns para com os outros.
Retomando as idéias dos post passados, como "O que é Música?!" e "Isso aí é Música?!", a Música também é uma linguagem, linguagem essa muito rica por sinal, pois reúne signos, códigos, linguagem verbal e não-verbal.
O mais encantador é que a Música é uma linguagem universal.
Você pode ser brasileiro, russo, chileno, japonês, italiano, americano, enfim, pode ser de qualquer nacionalidade, mas pode entender aquilo que está escrito na partitura, mesmo se ela for escrita por um cidadão de qualquer país. E o mais interessante, mesmo sem dominar a linguagem do outro, músicos de diferentes nacionalidades podem tocar juntos, se comunicar artísticamente pela música, até porque as notas escritas na pauta, cifras e as notas tocadas são as mesma, independentemente da nacionalidade de quem as toca.
Você já deve ter escutado uma música em outro idioma e já deve ter se identificado com sua estrutura musical, como a melodia, a harmonia, o ritmo, mesmo sem entender o que a letra fala. Então, quando resolve buscar o significado da letra, a tradução da música, fica surpreso porque era justamente aquilo que você imaginava (se bem que há letras que não condizem com a forma musical em que ela se manifesta, no sentido musical).
Na maioria das vezes, podemos percerber a mensagem que músicas cantadas em outros idiomas provavelmente podem está passando, pois é fácil perceber quando a música possui um clima mais melancólico, mais alegre, mais romântico, mais engraçado, enfim, no geral podemos fazer essa distinção, mesmo que a lírica não corresponda à essa estrutura.
Por falar em linguagem, queria deixar um conselho para o músico de hoje. Estudar música significa não só entender da linguagem musical propriamente dita, como teoria, pontos técnicos, mas também entender de história, de literatura, e também sobre outros idiomas.
Dominar uma língua estrangeira é muito importante para o músico, pois sabemos que existem muitos livros e métodos escritos em outras línguas, e por mais que obedeçamos o que a partitura traz, existem ainda informações que podem nos ajudar e a economizar esforços, de maneira a aumentar nossa produtividade e entendimento daquilo que o autor do método, livro ou composição quer passar.
Investir em cursos de língua estrangeira é uma opção que irá aumentar seu leque de informações, de conhecimentos e possibilidades de contato, até mesmo com músicos de outros países, além de ser algo que servirá para obter informações em infinitas áreas além da música.
Eu mesmo me dediquei a aprender uma língua estrangeira, e escolhi dominar o idioma inglês, que além de ser a língua universal (e não é a mais falada, a mais falada é o Chinês Mandarim), é que possui maior variedade de materiais de estudo.
No entanto, sabemos que no nosso país, acesso à esse tipo de instrução e conhecimento não possui um preço acessível, o que é lamentável.
Falar inglês me possibilitou oportunidades únicas na minha vida de músico. Em novembro de 2009, participei de um Festival Internacional de Contrabaixo, que além de trazer músicos nacionais como o grande Adriano Giffoni, Arthur Maia, Celso Pixinga, Ebinho Cardoso, trouxe também músicos e educadores consagrados como Todd Johnson, Jim Stinett (Professor da Berklee College of Music) e Grant Stinett.
Quando se fala uma língua estrangeira e principalmente, inglês, você já está em vantagem competitiva, pois entende na íntegra as informações passadas em um workshop por exemplo, como foi o caso do festival que participei, diferente que quem depende de tradução simultânea para entender e tirar suas dúvidas, o que ainda corre o risco de que aquilo que você realmente deseja saber possa ser passado para o visitante estrangeiro de forma um tanto que distorcida (e se torma mais agravante se o tradutor não souber os termos técnicos da música). Graças a esse conhecimento pude não só enternder as aulas, workshops e masterclasses desses baixistas e professores, como também fazer amizade com eles e conhecer histórias que quem não sabia falar inglês, com certeza absoluta não ficou sabendo.
Então, se você tem a oportunidade de estudar um outro idioma, pode apostar que é uma boa opção.
Concluindo, a Música é uma arte que une povos e não é mais um simples complemento cultural. É um campo de estudo que abre caminhos para estudar outras áreas. Ser músico (para quem é curioso) é ser um pouco de matemático, físico, escritor, poliglota, administrador, político, idealizador, fisioterapeuta, pedagogo, entre uma série de outras áreas que se relacionam com o mundo da música. E é por essas e outras, que a música é a linguagem de todos os povos!

Um aperto de mão!




Dedido este post para Bruna Guimarães, escritora, roteirista, atriz, musicista e violinista.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

MÚSICO >> BAIXISTA >> VIRTUOSO >> MUSICAL


Você sabe como dirigir um carro? Se a resposta for sim, você já deve está acostumado a realizar várias ações simultaneamente e a dominar vários comandos. Se a sua resposta for não, deve achar complicado como uma única pessoa controla um volante, marchas, três pedais e uma série de comandos. É meio engraçado isso, mas assim acontece com os Músicos.
O Músico ler a partitura, toca seu instrumento, a mão direita tem uma função, a esquerda tem outra, obedece à uma pulsação, à um andamento, cuida para seu som sair com qualidade, interpreta e às vezes, se possível, marca o tempo batendo no pezinho (rs). É muita coisa para uma única pessoa gerenciar, muitos comando para o cérebro determinar. As pessoas que não tocam, acham isso dificílimo (e é mesmo), mas já estamos acostumados.

Ser Baixista, é ser tudo descrito acima. Porém, ele é responsável pelo swing, por fazer os ossos balançarem, é encarregado de fazer aquelas levadas que dão um tempero especial às músicas.Como disse o baixista Fernando Savaglia em uma coluna (revista Cover Baixo nº 48, set. 2006, pag.68): 
"[...] tentar entender um groove de funk lendo uma partitura é a mesma coisa que procurar explicar que a consciência pode existir independentemente do cérebro [...] Conceitos como suingue não se explicam e não podem ser aprendidos se foram simplesmente lidos em algum lugar [...]" 
No entanto, há um ponto, que é crítico por sinal, que muitos baixistas erram no tempero. É preciso ainda ter sensibilidade. Às vezes, uma levada simples e coesa é o suficiente para preencher e dar um swing característico na música. Encher a levada de notas e mais notas, numa rapidez tremenda pode não soar tão bem e parecer mais uma demonstração de técnica, talvez para demonstrar um certo virtuosismo.

Mas o que é ser Virtuoso? Na Itália dos séculos XVI e XVII, a atribuição de virtuoso era dada a um músico por seu notável conhecimento teórico. Definição sustentada por estudiosos como Sebastien de Brossard, Johann Gottfried Walther, Johan Matthenson. Com o tempo, passou-se não só a valorizar-se um vitusoso por seu conhecimento teórico, como também por deter uma habilidade exepcional em um instrumento.
Johann Kuhnau definia um virtuoso em seu instrumento, alguém dotado de grande prática, altamente dotado de técnica bem desenvolvida, complexa. (leia definições mais detalhadas em http://pt.wikipedia.org/wiki/Virtuoso).
Eu concordo com ele. Não adianta ter muita técnica, se você não tem conhecimento para aplicá-la na música que você faz, e o mais importante, não há razão de ser virtuoso teórico e prático se você não consegue musicalizar estas habilidades.
Para tocar, não precisamos ser virtuosos na teoria e na prática, basta termos musicalidade, ou vai dizer que nunca viu e ouviu pessoas sem a mínima noção de música teórica e técnica, tocar suas violas e rabecas (mesmo com vícios) e compor músicas simples, mas bonitas, expressivas, que transmitem emoção para quem ouve. Podemos ser virtuosos na teoria e na prática, mas se não tivermos musicalidade para transformar informações, conceitos e técnica em música, seremos apenas macacos treinados. Habilidade prática e conhecimento teórico são fundamentais, isso é indiscutível. A técnica e a teoria devem ser pilares para podermos desenvolver e fazer música, e para isso precisamos ser musicais. Podemos citar exemplos de músicos virtuosos, tanto na teoria, quanto na prática, além de serem divinamente musicais, como Heitor Villa Lobos, Ludwig V. Beethoven, Amadeus Mozart, Nicolo Pagannini, Jaco Pastorius, Nico Assumpção, o grande e saudoso Sivuca, Alain Caron, John Patitucci. Também podemos citar baixistas que não executavam levadas entrincadas, mas musicais como John Deacon, Paul McCartney e Sting, o que não quer dizer que não tinham amplo conhecimento da teoria, pois sabemos que todos eles são bem conceituados e desenvolveram e/ou desenvolvem trabalhos de alta qualidade musical.
Aproveitando o embalo, gostaria de falar sobre multi instrumentismo (ou multi instrumentalismo). Sabemos que para dominar um instrumento, em linguagem coloquial, precisamos suar a camisa, nos dedicar ao máximo e buscar sempre aperfeiçoamento. Porém, para apenas tocar mais de um instrumento não precisamos ter alta habilidade em  todos, agora para dominar mais de um instrumento no sentido amplo da palavra, são outros quinhentos.
Eu mesmo passei e passo por essa vivência. Comecei estudando baixo acústico e violino simultaneamente, que são dois extremos (coisa de doido mesmo rs). Me machuquei estudando baixo acústico e migrei para o baixo elétrico, e paralelamente continuei estudando violino. Teve uma hora em que ficou complicado conciliar os dois instrumentos (que estavam no mesmo nível de aprendizado, exatamente nos mesmo períodos), e tive que escolher entre um deles. Como vi que minha vida sempre foi o contrabaixo, tranquei o curso de violino. Durante esse tempo avancei meus estudos de baixo elétrico, e atualmente iniciei meus estudos em saxofone. Organizo meus horários para desenvolver bem os dois instrumentos, dividir bem o tempo para estudá-los, e ainda tenho a vantagem de ter um conhecimento maior em baixo do que em saxofone, o que garante que não ficarei tão sufocado, pois em cada instrumento estou em níveis diferentes, e mesmo assim é um desafio muito grande. Toco ainda violão, que me ajuda em estudos de harmonia e flauta doce para auxiliar nos estudos de solfejo, quando me dá saudade, toco um pouquinho de violino, mas somente como hobby, pois levo a sério mesmo o contrabaixo e mais recentemente o Sax. Tenho vontade ainda de conhecer mais sobre o violoncelo e o bandolim, pois tenho grande admiração por essses instrumentos.
A história musical traz muitos exemplos assim, como Mozart, que era virtuoso no piano e no violino (e ainda tocava viola de arco em quartetos), Heitor Villa Lobos, no piano, violão e violoncelo (enfim Villa Lobos é Villa Lobos e ponto final rs), Nicolo Pagannini, violino e supostamente violão também, Flea no baixo elétrico e trompete. Viram? É díficil, mas não impossível.
Conhecer mais de um instrumento é sempre interessante, mas devemos focar naquilo que queremos e desejamos nos destacar. Eu amo baixo elétrico e quero morrer tocando baixo elétrico, mas também me encantei com o sax, e pretendo seguir esse caminho também (que Deus me ajude! rs). É preciso abdicar de muitas coisas, ser dedicado e levar a sério, só assim virão os resultados esperados.

Bom, se você optou também por seguir esse caminho, estudem e pau na máquina!

Até a próxima!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Música e Drogas.... Um assunto "Grave"


Falar sobre drogas hoje em dia é um ato de conscientização, de alerta, de prevenção. Agora, falar de drogas em relação à Música, é um assunto polêmico e careta, pois sabemos que muitas personalidades da música usam ou já usaram (para aqueles que já faleceram).
Já ouvi comentários que explanavam que o uso das drogas aumentava a capacidade de compor, de improvisar, além de "turbinar" a perfomance dos músicos.
Eu particularmente discordo. Música e drogas não tem nada haver. A música é uma arte que traz a liberdade, o direito incontestável da expressão. A música faz com que sua voz seja ouvida e gravada nas mentes das pessoas, e é, o discurso que nunca morre. Já as drogas te aprisionam, corrompem, destrói neurônios, comprometem sua capacidade de raciocínio, te trancafiam na dependência e te consomem a vida aos poucos.
O talento para música é algo dado por Deus, é um dom divino, é literalmente a expressão da alma. E como todo dom, precisa ser desenvolvido, maturado e lapidado, caso contrário ele permanece como recebeu, permanece em seu estado potencial.
As drogas, ao contrário do estudo, fazem declinar o dom que Deus dá.
Ser músico, como costumo falar, é ser o mensageiro das boas novas. É ter a responsabilidade de trazer alegria e emoções aos corações humanos, e esta é uma responsabilidade grande.
Infelizmente, músicos extraordinários, conhecidos e desconhecidos, trincam seus dons usando drogas, acabam com seus talentos com substâncias mortais que não ser vem de nada, a não ser de deixar seus usuários entorpecidos, reduzindo seu tempo de vida, destruindo notas que jamais serão ouvidas.
As drogam deixam uma partitura mais preta e branca do que ela já é, pois apagam o brilho e a luminosidade das notas quando são tocadas.
Quando falamos de drogas, pensamos logo em maconha, crack, cocaína e tantas outras por aí, mas dificilmente lembramos do álcool, do cigarro, que são drogas lícitas.
O álcool, assim como qualquer outra droga ilícita, já arruinou carreiras. O Rei do Rock n' Roll, Elvis Presley, se consumiu pelo uso descontrolado de drogas e álcool, entre outras personalidades.
Não se iluda, vivenciar a música não envolve vivenciar as drogas. Fique alerta, preste atenção, amigos verdadeiros não permitem que você faça a bobagem de se viciar, e sim te guiam por bons caminhos.
O caminho certo para a decadência, para o fracasso e para a morte é usar drogas. Apessar de muitos músicos famosos aparentarem está bem, lembre-se que o que vemos não é igual aos backstages.
Enfim, para quê drogas? Buscar a música proporciona nuances e sensações que transcendem todo o entendimento, percepção e capacidade de humana de descrever isso por meio de palavras.

Esse é o recado que deixo à você músico, principalmente se você for jovem e cheio de vida pela frente.

Grande abraço!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Quando tocar dói - Como prevenir dores e lesões.


Não há nada mais prazeroso do que tocar um instrumento musical. Assim, como deve ser para o atleta praticar esportes, para as bailarinas realizar coreografias, para o pintor fazer quadros, enfim, quando fazemos aquilo que gostamos nos sentimos realizados.
No entanto devemos observar como nosso corpo se adapta à essas atividades. Para nós músicos, não seria diferente. Para tocarmos nossos instrumentos, precisamos ter uma postura correta. Uma postura correta nos ajuda a ser mais ágil, a ter mais flexíbilidade e mobilidade para a execução, além de prevenir dores e lesões, que se não forem observadas, podem destruir a carreira de alguém! Não é exagero! Devemos ter muito cuidado quanto à isso.
Antes de tocar e/ou estudar nosso instrumento, devemos preparar nosso corpo para essa atividade, afinal antes de qualque atividade nosso corpo se encontra ou em estado de relaxamento, ou em estado de tensão.
Portanto, devemos realizar exercícios de Alongamento e Exercícios de Aquecimento.

"Alongamentos são exercícios voltados para o aumento da flexibilidade muscular, que promovem o estiramento das fibras musculares, fazendo com que elas aumentem o seu comprimento. O principal efeito dos alongamentos é o aumento da flexibilidade, que é a maior amplitude de movimento possível de uma determinada articulação. Quanto mais alongado um músculo, maior será a movimentação da articulação comandada por aquele músculo e, portanto, maior sua flexibilidade."
 (Definição encontrada em http://www.faac.unesp.br/pesquisa/nos/mexa_se/alongamentos/imp_alongamentos.htm)

São esses exercícios que nos proporcionarão uma maior flexíbilidade, que é essencial para exercutarmos exercícios de técnica difíceis e trechos complicados fisicamente falando, pois aumentam nossas possibilidades de movimentos.

Os Exercícios de Aquecimento preparam nosso corpo para uma atividade, buscando uma integralização entre mente e corpo. Esses tipos de exercícios são dividos em duas subcategorias:


"Aquecimento geral: Os principais objetivos fisiológicos do aquecimento geral são: obter um aumento da temperatura corporal, da temperatura da musculatura e preparação do sistema cardiovascular e pulmonar para a atividade e o desempenho."


"Aquecimento específico: O aquecimento específico deve ser realizado após o aquecimento geral. Este tipo de aquecimento é fundamental nas modalidades esportivas coordenativas. Consiste em exercícios que se assemelham tecnicamente aos que serão executados na atividade posterior. "

(Definição encontrada em http://www.faac.unesp.br/pesquisa/nos/mexa_se/imp_aque.htm)

Como podemos observar, o aquecimento antes de uma atividade é muito importante, pois nos prepara para atividades coordenativas.
Sendo assim, esses exercícios são amplamente e totalmente recomendados antes de tocarmos e/ou estudarmos nosso instrumento, nos fornecem flexibilidade e nos preparam para isso.
Como já não bastasse tantos benefícios, eles ainda previnem dores e lesões.
Vai dizer que você nunca ouviu falar em LER (Lesões por esforço repetitivo)?

"O termo LER refere-se a um conjunto de doenças que atingem principalmente os membros superiores, atacam músculos, nervos e tendões provocando irritações e inflamação dos mesmos. A LER é geralmente causada por movimentos repetidos e contínuos com consequente sobrecarga do sistema músculo-esquelético. O esforço excessivo, má postura, stress e más condições de trabalho também contribuem para aparecimento da LER. Em casos extremos pode causar sérios danos aos tendões, dor e perda de movimentos. A LER inclui várias doenças entre as quais, tenossinovite, tendinites, epicondilite, síndrome do tunel do carpo, bursite, dedo em gatilho, sindrome do desfiladeiro toracico e síndrome do pronador redondo."
(Trecho disponível em http://cliquesaude.com.br/ler-lesao-por-esforco-repetitivo-204.html) 

Estudar um instrumentos musical não significa apenas aplicar a teoria musical à ele, à executar os mais bravos estudos ou tocar tudo o que ver pela frente. Quanto mais informações você dispor, de muitas áreas, melhor ainda, e isso se chama estratégia, de como melhorar, potencializar e aumentar o rendimento de seus estudos.
Então, tenha muito cuidado e atenção como você está tocando, faça alongamentos, aquecimentos, corrija sua postura e principalmente, respeite seus limites. A dor é um sinal de que algo anda errado naquilo que você fez ou está fazendo. Portanto, ao menor sinal de dor, pare de treinar, faça uma pausa, relaxe e repeite-se, pois não somos feitos de aço.
Comigo foi assim. Quando entrei para a Escola de Música do Estado do Maranhão, não haviam vagas para contrabaixo elétrico. Haviam então vagas para contrabaixo acústico, e eu comecei então a estudá-lo. Como não possuía um contrabaixo acústico em casa, tinha que passar horas na escola de música para colocar os programas de estudo sempre em dias. Sem contar que o contrabaixo acústico disponível para estudo mais parecia um varal, de tão altas que eram as cordas! Nos meses de férias, chegava a estudar contrabaixo acústico 7 horas por dia! Eu sempre tomei cuidado com minha musculatura, fazia alongamentos, me aquecia, mas não fiz o mais importante, eu não respeitei meus limites, não soube a hora de parar, queria a todo custo ser um bom instrumentista, um bom baixista... 
Então, no final do primeiro semestre de 2008, me apresentei em um recital, onde executei duas músicas. Essa foi minha última apresentação com o baixo acústico. No final da segunda música, senti um formigamento na mão esquerda e uma visgada agudíssima no punho esquerdo (quase erro as arcadas da peça). 
Eu ignorei esses sintomas, e continuei estudando e estudando, até que percebi que estava perdendo mobilidade, força e agilidade para realizar as posições e dedilhados no baixo acústico. 
Fiquei apavorado e procurei ajuda especializada. Fui a um ortopedista e realizei um ultrassom do punho e mão esquerda. O diagnóstico revelou que eu havia desenvolvido uma doença chamada Síndrome do Túnel do Carpo. Imediatamente tive que que abandonar os estudos de baixo acústico (ainda bem que existem os Uprights rs). Mas Deus é bom e fiel, e como o baixo elétrico possui cordas de menor calibre, ação mais baixa das cordas e um braço mais confortável, pude seguir meus estudos normalmente no contrabaixo elétrico. Graças ao Bom Deus, essa fase dolorosa passou e hoje levo meus estudos naturalmente, mas jamais ignoro sinais de dor e nem me descuido com alongamentos e aquecimentos.
Então a dica que dou para você baixista, que sabe como o nosso instrumento possui medidas e cordas mais pesadas que os outros, é se cuidar e respeitar seus limites, para que incidentes tristes como esse não venham a acontecer. E se por infelicidade venham a ocorrer, procure um médico ortopedista e a ajuda de um fisioterapeuta.

Espero que este artigo tenha sido muito útil e ajude pessoas a se prevenirem de dores e lesões.

Fiquem com Deus!!!

Dedico este artigo a mamuska, minha mãe Hanna, que esteve comigo durante toda essa fase crítica.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Psicomotricidade & Aprendizado



Continuando a linha de raciocínio do último artigo, falaremos agora sobre a educação, o desenvolvimento, organização e integralização dos movimentos.
Quando iniciamos o aprendizado em algum instrumento, com certeza não entendemos o "por quê" de alguns exercícos iniciais. Exercícios esses que muitas vezes achamos maçante e entediante. Porém, esses exercícos são fundamentais para desenvolvermos nossa técnica.
Os exercícios que aprendemos (exercícios de técnica), são chamados também de Exercícios Psicomotores.
São exercícios que ajudam a desenvolver a habilidade, fornece flexíbilidade às mãos e dedos, além de desenvolver a agilidade.
Existe uma ciência que estuda a o corpo em movimento, e a relação entre pensamento, ação, incluindo ainda a emoção. Esta ciência é chamada de Psicomotricidade.

"É a ciência que tem como objeto de estudo o homem através do seu corpo em movimento e em relação ao seu mundo interno e externo. Está relacionada ao processo de maturação, onde o corpo é a origem das aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas. É sustentada por três conhecimentos básicos: o movimento, o intelecto e o afeto. Psicomotricidade, portanto, é um termo empregado para uma concepção de movimento organizado e integrado, em função das experiências vividas pelo sujeito cuja ação é resultante de sua individualidade, sua linguagem e sua socialização."
(Definição encontrada em: http://www.psicomotricidade.com.br/apsicomotricidade.htm)

No último artigo, falei de um tipo de memória peculiar, que talvez você nunca ouviu antes (e confesso que eu mesmo atribuí essa qualificação). A Memória muscular que citei, tem relações diretas com a Psicomotricidade.
Aprender um instrumento musical envolve movimentos, pensamentos e emoção. E os exercícos psicomotores (exercícios de digitação, de técnica, etc), são os meios pelos quais nos permitem organizar e integrar os movimentos.
É fundamental estimular o desenvolvimento da parte psicomotora, para que de forma consciente possamos integrar os movimentos com a emoção e à expressão dos mesmos.
Isso tem tudo haver com Música! A música envolve movimentos, pois para tocarmos nossos instrumentos, precisamos dominá-los, e sua execucção se dá por meio desses movimentos, que são ligados a pensamentos e informções. É o que acontece quando tocamos o que está escrito numa partitura. Lemos as notas e transformamos essas informações em impulsos nervosos que são encaminhados para nossas mãos. Além disso acrescentamos à isso, nossa emoção e expressão. Também acontece quando estudamos exercícios de técnica, escalas, padrões sobre escalas. Estudamos para dominar esses movimentos que fazemos para extrair os sons.
Devemos lembrar que os movimentos são comandados pelo pensamento e não ao contrário. Não adianta estudar muito um exercício achando que iremos aprender por osmose. Estudar sem atenção, sem concentração e desmotivado não renderá bons resultados. Mas, se você aprende a condicionar seus pensamentos para comandar seus movimentos, estudando devagar, com atenção, motivado e concentrado, os resultados com certeza serão talvez mais que esperados!
No livro sobre contrabaixo que estou escrevendo trago muitos exercícios que ajudam a desenvolver os comandos psicomotores.
No próximo artigo, iremos tratar de exercícios de aquecimento e alongamento corporal.
São assuntos que tem tudo haver com a parte técnica, de tocar, executar, e que ajudam a melhorar seu desempenho, afinal corpo e mente devem está sempre em equilíbrio.

Até a próxima e bons estudos!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Mas, e aí? Quantas horas por dia devo estudar?


Para aprender a tocar e a dominar um instrumento musical, precisa-se de muita disciplina, compromisso e dedicação. São os aspectos fundamentais para se obter êxito nesta atividade. Existe ainda três outros aspectos tão fundamentais quanto os outros citados a pouco. São eles:

a) Estudar;
b) Estudar com afinco;
c) Estudar certo.

Precisamos de disciplina, pois sem ela não iremos obter o resultado esperado. Algo que começa desorganizado, com certeza, não dará bons frutos. Precisamos organizar nossos horários, reservar um tempo para estudar e manter o conteúdo de estudos em dias, para que não nos sobrecarregarmos, pois sabemos que existem milhares de assuntos para ser estudados, e é importante dar um passo de cada vez, sem pular etapas. Por isso, disciplina é fator fundamental.

O compromisso de estudar deve ser um acordo firmado com você mesmo, com seus objetivos e com seu instrumento. Sem compromisso, é impossível realizar aquilo que você estabeleceu para si mesmo. Você deve cumprir seus horários, insistir em vencer as mais teimosas difilculdades e cumprir seu conteúdo de estudos, tanto da teoria musical, como a parte técnica.

Então, se você é disciplinado e tem compromisso, já possui meio caminho andado. Mas, disciplina e compromisso sem dedicação, é como castelos de areia, você pode até construir um belíssimo, mas vem o mar o desfaz inteiramente.

É justamente quando chegamos a este ponto, de nos dedicarmos a estudar música e um instrumento que surge a pergunta que nomeia este artigo. Mas, e aí? Quantas horas devo estudar por dia?
A alternativa a), que aparece acima e corresponde à Estudar, significa que você deve ter disciplina, compromisso e dedicação para aprender e dominar os assuntos da teoria musical e aos exercícios que você está estudando, principalmente se você iniciou recentemente seu aprendizado. Para esta fase, recomenda-se de quarenta à sessenta minutos diariamente, pois nessa fase os o aprendiz os assuntos e exercícios são mais light. Não devemos esquecer do metrônomo, que deve acompanhar sempre o músico em seus estudos. Para quem é iniciante e toca instrumentos que há necessidade de estudar notas longas como violino, viola, cello e contrabaixo acústico, recomenda-se iniciar com 40 bpm (batidas por minuto). Se você estuda guitarra, baixo elétrico, violão, piano, entre outros instrumentos de afinação temperada, dependendo dos exercícios, pode iniciar com 60 à 70 bpm.

A alterna tiva b) Estudar com afinco, significa estudar de forma consistente e concentrada. Observando todos os detalhes, como postura, entonação, sonoridade e expresssão. Nada de estudar apressado e só aumente a pulsação do metrônomo quando você sentir que existe segurança, firmeza e total controle na pulsação anterior. Estudar concentrado e devagar é o que vai garantir uma boa absorção daquilo que você está estudando, pois o cérebro tende a assimilar melhor as informações. Para os estudos de técnica, estudar devagar além de educar seus movimentos e sua forma de tocar, desenvolve sua pulsação interiror, pois não dá para tocar sempre utilizando metrônomo, ele é apenas uma ferramenta auxiliadora, e não uma muleta. Outro aspecto que vale ser ressaltado: Você já ouviu falar em memória em todos os sentidos, como, memória visual, que te possibilita reconhecer objetos, lugares e pessoas. Memória olfativa, que é aquela que permite à você identificar odores, cheiros, perfumes, etc. Memória tátil, que proporciona lembrança sobre sensações térmicas, texturas, entre outras. Memória gustativa, que faz com que você lembre de gostos, como doce, salgado, azedo, amargo, etc. Memória auditiva, que possibilita reconhecer timbres, vozes, sons, etc. 
Bom, sei que está parecendo aula de biologia, mas além dessas memórias, existe ainda uma, que os músicos desenvolvem estudando seu instrumento, e que se chama Memória muscular, que está diretamente ligado com a memória auditiva, como por exemplo, quando estamos pegando uma música de ouvido, ou mesmo com a Memória visual, quando estamos lendo uma partitura e tocando-a.
A memória muscular corresponde à informações guardadas no cérebro que nos permitem sempre lembrar de exercícos de técnica, escalas, melodias e músicas, mesmo que passamos um bom tempo sem tocá-los. É como uma habilidade automática, inconsciente, parecido com um reflexo diante de um estímulo. Porém, para desenvolver essa memória o instrumentista precisa praticar aquilo que deseja aprender, o que é lógico. É como aprender a falar uma língua estrangeira, para aprender a pronúncia, entonação, a gramática e a falar fluente, você precisa estudar para assimilar, afinal são atividades e informações novas para seu cérebro.

Finalmente a alternativa c) Estudar certo, responde a pergunta de quantas horas devemos estudar por dia. Antes de tudo, o estudo deve ser uma atividade prazerosa. É certo que estudar é uma obrigação, mas devemos fazer de conta que não é, para não nos sobrecarregarmos de pressão tanto física, quanto psicológica. É você, músico, que deve determinar o quanto deve estudar, o tempo necessário para aprender e para dominar a teoria e seu instrumento. O ideal é estudar até você dominar aquilo que deseja, mas lembre-se que nós seres humanos temos limites, e se faz muito tempo que você comoeçou a estudar e não dá em nada, faça uma pausa, descanse, beba um copo de água, e depois mais relaxado, tente novamente, seja persistente, e mais, nada de intervalos maiores que 15 minutos, porque mais que isso compromete sua disposição para voltar aos estudos. Porém, se perceber que o cansaço é considerável e você já está de saco cheio, o melhor mesmo é parar e tentar no outro dia.
Devemos observar em que horário do dia nos sentimos mais à vontade para estudar e o lugar onde você estuda também deve ser um local onde você se sinta bem, relaxado, longe de preocupações e de fatores que possam desviar sua atenção. No entanto, sabemos que nessa vida as coisas andam cada vez mais corridas, estresse, correria em tudo, e nem sempre dispomos do tempo que gostaríamos e precisamos para estudar. Agora vem uma consideração fundamental: Se você tem tempo para estudar, ótimo, aproveite ao máximo para desenvolver suas habilidades e aumentar seus conhecimentos. Mas, se você não possui muito tempo para isso, a dica é estudar concentrado e consciente. Não adianta de nada estudar de 4 à 6 horas por dia se você não se concentra, se está com a cabeça em outro lugar, se está desmotivado e se não possui resistência para isso. Desse jeito, você só estará perdendo tempo. O ideal é estudar concentrado, com atenção, estudando devagar, observando cada detalhe e o mais importante, estude respeitando seus limites, só assim você ganhará resistência para fazer estudos mais demorados.
Concluindo, não basta apenas simplesmente estudar por estudar, devemos estudar com afinco e de maneira certa. Se você é autodidata, deve se informar sobre programas de estudos, métodos de estudos e até ementas de cursos. Se você estuda em escola de música, não se contente somente com aquilo que seu professor lecionar. Não confunda isso com queimar estapas do aprendizado. Estamos falando de pesquisar, de buscar novas informações que forneçam uma base para quando chegar a epóca de ver tais assuntos, você possa estar mais inteirado sobre eles ou mesmo buscar algo que acrescentem pontos positivos aquilo que você está estudando.

Espero que essas informações sejam úteis para todos vocês!

Abraços!

Bass & Girls: Uma combinação perfeita.


Quem foi que disse que contrabaixo é coisa apenas de homem? Os tempos mudaram e as mulheres estão cada de vez mais conquistando (ou já conquistaram) seu espaço em muitas áreas que antes eram predominantemente exercidas por homens.
Na música não poderia ser diferente. Podemos citar como exemplos de mulheres, que além de lindas, são musicistas ferozes, como é o caso de Anne Sophie Mutter (violino), Vanessa Mae (violino), Tina Guo (violoncelo), Carla Bruni Sarcozy (violão). A parte mais interessante, é que também há mulheres trabalhando no meio dos Graves, e desempenhando um trabalho belíssimo como a australiana Tal Wilkenfeld, a americana Esperanza Spalding, Rhonda Smith, entre outras.
Particularente, aprecio mulheres que tocam contrabaixo, além de deixá-lo mais charmoso, elas ficam mais sexy (rs).
Hoje, já existem marcas que desenvolvem contrabaixos especialmente para mulheres, com medidas mais confortavéis às suas mãos (que em sua maioria são pequenas e delicadas), com corpos mais leves e com um acabamento mais feminino, com cores que elas gostam bastante.
Se você que está lendo este post for mulher e toca contrabaixo, meus Parabéns! Você não poderia ter feito escolha melhor. Se ainda não toca nenhum instrumento, escolha o baixo, que além de ser um instrumento lindíssimo e rico culturalmente, deixa você mais bonita do que já é! Bom, brincadeiras a parte, o contrabaixo é uma ótima opção para você que é mulher e deseja aprender um instrumento (os baixistas de plantão agradecem! rsrs)

Este artigo foi mais descontraído e espero ter agradado novamente, especialmente às mulheres!

Forte abraço!

(Dedico este post para Frescia Belmar, minha grande amiga e baixista chilena, à Manu Balata e Luana Gomes.)